quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Almas gêmeas

Era sexta - disso eu nunca vou conseguir esquecer - era sexta e o relógio marcava 3h da manhã...(ou 10 da manha..)

O sol estava alto... O carro estacionado na contramão em frente ao trabalho e eu ouvia a voz ofegante perguntando "e assim... [segurando minha coxa de forma firme e subindo despudoradamente] Você entende agora o que eu estou sentido aqui [falou passando a mão por cima da sua própria calça, acariciando com força o próprio sexo e soltando um gemido alto, me fazendo queimar ainda mais de desejo]?".

Tomei sua mão e guiei até meu sexo, afastando a calcinha e fazendo seus dedos deslizarem em mim, rebolando gostoso, fazendo com que seus dedos entrassem em mim, agarrei seus cabelos e puxei seu ouvido para meus lábios, soltei um gemido fino e faminto, dizendo "você acha que eu consigo entender o que você está sentindo?"

Senti seu olhar queimar e era como se uma fera tomasse conta de seu corpo. Arrancou-me de onde estava apenas com um movimento e colocou-me de frente para ela, entrando pela minha blusa, tomando para si meu seio, enquanto encaixava-se por completo em mim, me fazendo rebolar firme para senti-la como precisava sentir... Ao sentir sua língua tocar meu mamilo rijo, agarrei em seus cabelos, puxando sua boca para a minha...

Foi assim que acabou... Meu corpo em chamas, ainda movimentava-se como se não tivesse despertado... Sentia o sexo procurar pelo sexo dela sem entender onde estava... Tudo que via em volta era escuro, afinal era pouco mais de 3h da manhã...

Virei para o lado sem entender o que ela fazia ali em meio aos meus sonhos... Tanto tempo depois daquele beijo... Tanto tempo depois de todas as dúvidas já não me desconcentrarem... Tanto tempo sem dúvida alguma me perturbando... Virei novamente... Sentia o corpo latejar... Fechei os olhos... Vi seu olhar felino dizendo "E assim... Você entende?"... Podia ouvir ecoando isso no quarto e abri novamente os olhos, com medo que mais alguém a ouvisse gemendo dentro do meu inconsciente...

Levantei... Fui ao banheiro, joguei água no rosto e olhei para o espelho... Era o que eu via de seu colo naquele carro... Enxerguei a rua vazia, os paralelepípedos ao longe, me senti colada nela e de repente a sensação da mordida em meu seio me faz olhar assustada para baixo, à procura de onde vinha aquele fantasma...

Afundei novamente o rosto na água fria e voltei para a cama... Olhei no visor do celular que marcava 4h, sorri, suspirei um "você é louca!", soltei ele sobre a cabeceira e dei-lhe as costas, tentando afastar de mim a vontade de saber qual seria o caminho que aquelas mãos que me puxaram para si percorreria...

Ao fechar os olhos, sentia o corpo querer entrar no ritmo que estava em seu colo... Me virava novamente e ouvia seu gemido ao apertar seu sexo... Abri os olhos e lá estava... 4:02h... Tudo o que queria era poder dormir as duas horas que ainda me restavam... Ameaçava fechar os olhos e logo ouvia aquele sussurro na minha cabeça, sentia o calor da sua mão suada dentro de mim, deslizando sabiamente para onde me fazia delirar e querer mais... Tornava a abri-los e lá estava o relógio marcando a mesma hora, como se paralisado...

Senti meu corpo me puxar para o sonho... Porém desta vez com os olhos abertos, lúcida, desperta... Era como se o sonho continuasse diante dos meus olhos, suas mãos percorrendo minhas costas, arranhando, fincando delicadamente a cada movimento bruto que eu fazia de encontro ao corpo dela... Sua língua invadindo minha boca, sua respiração ofegante invadindo minhas narinas, as mãos seguindo pela minha cintura, barriga, apertando com sede meus seios, tomando-me pelo tronco e forçando mais nosso encontro desesperado...

Sentia o corpo começar a ter espasmos de prazer e saltei, com a certeza de que estava delirando... Olhei para o lado, eram os mesmos remédios de sempre, nada alucinógeno... O que estava acontecendo?... O corpo gritava pelo fim daquela tortura... Mas eu não conseguia... Não parava de tentar entender de onde estava vindo tudo aquilo... Eram 4:10h... Minha cabeça se rendeu, deitei e adormeci sentindo o corpo em chamas...

Sentia seus dedos dentro de mim, controlando os movimentos do meu corpo, sua mão agarrada em meu cabelo, me fazendo olhar no fundo dos seus olhos, lendo nele todo o desejo que eu estava sentindo... E eu me entregava... Permitia tudo a que me era imposto, sem forças de lutar contra... Sentia seus dedos em mim e deslizava também pelo seu sexo, que latejava, me mostrando o caminho a ser percorrido...

Ela afastou lentamente sua mão de mim e subiu a mão até a boca, num movimento delicioso, que me queimava ainda mais...

E com um movimento rápido, lá estava ele... Marcando 5h da manhã... Resolvi não dormir mais... Não tinha condições... Peguei um livro, fui pra rede abri e tudo que via nas linhas eram aqueles olhos, aqueles movimentos...

5:30h e eu olhava tanto para o celular que ele já estava praticamente escrevendo sozinho o que eu tanto pensava...

Ainda não sei como consegui escrever... Ainda não sei direito o que foi que eu escrevi que ela entendeu tão bem... Também não sei se me expliquei direito... Mas tinha alguma coisa que parecia que fazia uma conexão entre nossos corpos... Algo que sem que soubéssemos, nos levava a ficar juntas... Coisa de almas... De metades que se encontram... Não sei...

Raphaela Cavalcanti

Nenhum comentário:

Postar um comentário